Não poderia começar este blog sem contar um pouco sobre o meu nascimento... 

Então se você chegou até aqui, "senta que lá vem a história"...

Sempre desejei ser mãe.

Ainda na primeira infância, costumava brincar com as minhas bonecas e sempre me imaginava com um barrigão, gestando cada uma delas.

Quando me perguntavam sobre o meu maior sonho, eu respondia de pronto: "ser mãe"... Ser psicóloga, me casar, ter uma carreira promissora, viajar para a grécia, ter um carro conversível, poder comprar um mausoléu para a minha avó (sim, eu achava muito legal ter um mausoléu)... Embora tudo isso estivesse nos meus planos, o meu anseio de vida era me tornar mãe...

Embora essa vontade tenha sido latente em muitos momentos da vida, sempre tive medo do processo da gestação. Um medo irracional, aprendido, mas que me paralisou em muitos momentos. Certa vez, em uma sessão de terapia, consegui entender o meu medo... A responsabilidade, o medo de não ser uma boa mãe, a eterna culpa maternal. Mas descobri também que meu medo revelava o receio de repetir a mesma história da minha mãe...

Como todo ser histórico, conheci o enredo da minha vida pregressa desde pequena... Sempre ouvi com muita empatia e medo a luta da minha mãe e suas perdas gestacionais.  Ainda criança já sabia o que era incompetência istmo cervical e como eu me tornei um bebê viável. Palavras como repouso absoluto, internação, gestação de alto risco, cerclagem, pareciam enfatizar toda luta que minha mãe enfrentou na minha gestação.

"Eu não tinha outra oportunidade", "foi muito difícil", "já tinha perdido 3 bebês antes"... Me assombravam mais do que a loira do banheiro. As perdas gestacionais foram em decorrência a IIC. Para que eu pudesse nascer, ela precisou fazer repouso absoluto a gestação toda. Mesmo assim, eu nasci de 7 meses. Tão pequena que cabia em uma caixa de sapato. 

Eu costumava ficar imaginando como minha mãe havia conseguido ser tão forte e determinada.  Por alguma razão, projetei essa vivência para mim... Temia passar pela mesma experiência...
Foram anos trabalhando essa questão em terapia. Alguma coisa me dizia que a história iria se repetir...



Desde sempre conheço a nossa luta. Minha e da minha mãe. Cada uma em sua batalha pessoal. Duas guerreiras. Vencemos. 



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