Há uns anos atrás antes mesmo de aventar a possibilidade de engravidar, fui mega inadequada com uma vizinha. Ela estava com seus dois bebês e ao perguntar as idades deles,  achei um dos bebês muito pequeno. Naquela época eu não tinha muito filtro e soltei: "nossa, ele é muito pequeno!"... Na hora percebi o desapontamento daquela mãe. Me senti super inapropriada (porque eu fui mesmo...) mas aprendi a lição. Não devemos comparar tampouco "criticar" os bebês.


Ao lembrar dessa situação até hoje me sinto mal... Eu jamais, em hipótese alguma deveria ter dito qualquer coisa. No máximo sobre como eles eram lindos (e eram mesmo) ou se ela precisava de alguma coisa, ajuda ou suporte. Mas eu não fazia ideia do que era ser mãe... mesmo.

Aqui cabe um parênteses gigante: amigas que um dia eu faltei ou fui omissa... Mil desculpas. Eu realmente não tinha a menor noção sobre o que vocês passaram. Vocês estavam certas o tempo todo. #abracinho #amãetambémprecisadecuidados

Desde que a Nina nasceu eu tenho sofrido com a "patrulha da curva normal". Foi assim que eu apelidei aquelas pessoas sem noção que adoram julgar o seu bebê. "Mas ele não anda?", "nossaaaaa, que bebê gigante!", "que bebê pequeno!", "está muito gordo, muito magro" ... É por aí vai. Toda hora alguém quer dar pitaco sobre seu peso e seu tamanho... Enche o saco.

Nada assusta mais do que esse tipo de comentário. Eu passei um dia inteiro sofrendo por achar que o perimetro cefálico dela era muito menor "do que deveria ser"... Tudo por causa de um comentário inoportuno. Mas depois disso aprendi a lição.

Minha bebê é perfeita, saudável e está ótima e se desenvolvendo no seu tempo. Sem pressa. Sem comparações. Vamos deixa-la em paz. Vamos permitir que ela se ame e se aceite do jeito que for. E que aprenda a respeitar o outro e suas diferenças. 

Uma dicona para vocês patrulheiros: APENAS PAREM! Vocês não imaginam como seus comentários são inapropriados. Cada bebê e criança tem seu tempo e biotipo... Chega de compararem bebês. Chega de quererem normalizar ou patologizar tudo e qualquer coisa. Por que ao invés disso, vocês não tentam ser mais gentis? Sabe?

Tá faltando cuidado, tá faltando empatia... É tão duro educar, criar. A gente já tem uma série de expectativas, medos, preocupações. talvez se as pessoas fossem um pouco mais solidárias, menos críticas as coisas ficariam beeeem mais leves. 

Então tá! Vamos exercer pouco mais de compreensão e amor? 

 Obrigada. De nada. 


Por ter sido prematura e ter tido uma sobrinha que também nasceu antes do tempo, sempre soube que a Nina teria um desenvolvimento diferente de um bebê nascido à termo com a mesma idade cronológica que ela. Na verdade, para avaliar os marcos do desenvolvimento dela precisamos corrigir sua idade.


A idade corrigida é o tempo de vida que ela teria agora caso tivesse nascido com 40 semanas. Por ter nascido com 6 meses, ela agora está completando 2 meses de idade corrigida e 5 meses de idade cronológica. Dizem que devemos calcular assim até o bebê completar 18 meses, mas eu prefiro aceitar o seu desenvolvimento no tempinho dela. 

Quando ela estava internada vi um post sobre "porque os prematuros são rockstars". Era um lista das 10 coisas mais legais do prematuro. Achei o máximo como aquele texto era leve e ao mesmo tempo falava sobre as dificuldades que eles enfrentam no primeiro momento de existência. 

Um bebê nascido bem antes do tempo como a minha filha pode apresentar uma série  de intercorrências que irão impactar em seu crescimento. O primeiro efeito é no peso e altura do bebê. Não queira comparar o tamanho de um bebê de 5 meses com o desenvolvimento da Nina. Ela é beeeem mais magrinha e menor. Tente você quadruplicar seu peso em 2 meses. Pois é, ela fez isso. 

Além disso, seu sistema nervoso terminou de se formar quando ela já havia nascido. Então é claro que embora ela consiga fazer algumas coisas que um bebê a termo também faz, seu desenvolvimento acompanha o de um bebê com a sua idade corrigida. 

O sistema imunológico do bebê é reforçado nas últimas semanas de gestação, logo a imunidade do prematuro tende a ser mais vulnerável e suscetível. TENDE, porque não necessariamente é uma regra. A minha filha tem uma vida normal e nunca teve nenhum problema de saúde. Mas convém nos primeiros meses evitar multidões, contato físico de outras pessoas e exposição a temperaturas baixas. 

Isso nos gerou um certo mal estar logo que ela veio para casa. Muita gente quis conhecê-la assim que chegamos da maternidade. Mas por ainda não ter tido o calendário de vacinação corrigido, precisamos evitar as visitas. Algumas pessoas nos compreenderam sem qualquer problema, outros mais ansiosos (nós entendemos!) ficaram chateados. 

Tenho certeza que essas questões com o tempo serão resolvidas ou minimizadas... Mas o que mais sinto sobre a prematuridade,  é ter um armário inteiro de roupinhas lindas e não poder usar. Ainda. Quase nada cabe. #dramaqueen #mãedeprematurasofre #representatividadetamanhoXXP

 Foi muito difícil encontrar algo que coubesse enquanto ela esteve internada. Alô, empreendedor do ramo têxtil, vamos ajudar as mamães de prematuros com umas roupinhas para nossos filhos ae! 

Hoje eu coloquei nela o primeiro sapatinho. E coube! Ficou um pouco largo, mas nada que uma meia ou um esparadrapo não resolvam. Nem preciso dizer que passei o dia inteiro admirando aqueles pés lindos e calçados.

E que venham as novas roupinhas, sapatinhos e acessórios. Pode parecer futilidade quando existe tantas outras coisas "mais importantes". Mas e você? Você agradece cada grama que o seu filho ganha? E quando ele passa a usar fralda M? Pois é. Hoje é assim que vivemos. Agradecendo e apreciando as menores conquistas.