O peso do bebê prematuro é uma das coisas que mais preocupam seus
pais e cuidadores. Como eu já escrevi anteriormente, a gente está sempre
torcendo por cada grama alcançada. Logo que a Nina essa era a minha principal
preocupação.
Na primeira consulta com o pediatra fizemos uma lista com todas as
nossas apreensões. Calendário de vacinação seria aprazado por qual idade? A
cronológica ou a corrigida? Em quanto tempo ela poderia dar um passeio ao ar
livre? Quais cuidados da UTI seriam necessários em casa? Enfim, nossa lista era
enorme. Mas a questão do aleitamento era algo que eu particularmente me
interessava bastante.
Sempre idealizei a amamentação. Me imaginava com um bebê lindão
acoplado ao meu seio. Era o meu sonho da maternidade perfeita. Eu não fazia ideia
do quanto era difícil, doloroso, exaustivo.
Enquanto a Nina estava internada havia uma certa restrição à
amamenta-la no peito. Digo isso, porque naquele período era muito importante
que ela alcançasse logo o peso para poder receber alta e o bebê costuma perder
peso quando começa a sugar o seio materno.
Assim aproveitei esse tempo apenas para treinar a pega, me sentir
mais segura sobre as posições de aleitamento e estabelecer essa conexão entre
nós duas. Tentava amamenta-la por uns 20 minutos e caso ela recusasse eu cedia
e dava a mamadeira com o meu leite.
Quando a gente veio para casa eu fiz questão de aleitar. Comprei
aqueles bicos de silicone, concha para fazer bico, vi vários tutoriais sobre
aumento da produção de leite e sobre a pega perfeita.
Aqui cabe um “mea culpa”. Por ter aprendido a sugar com uma
chupeta, minha bebê havia se acostumado com o bico de látex. Então para tentar
adapta-la ao seio eu utilizei o bico artificial. Grande estupidez.
É difícil aceitar a impossibilidade em amamentar. Escutava as histórias
de algumas mães que não conseguiram e não aceitava participar desta
estatística. Talvez eu já tivesse aberto mão de tantas coisas sobre a
maternidade, que ceder neste caso não era uma opção. Pelo menos não naquele
momento.
Ela sugava o bico e continuava chorando de fome. Eu, desesperada,
sem saber o que fazer, chorava junto. “Filha, por favor, mama!” Meu peito
parecia que ia explodir, doía muito. Ela se contorcia toda, ficava cheia de gases, por conta do ar sugado. Para que ela se
acalmasse eu acabava voltando à mamadeira.
Foi assim por alguns dias seguidos. Eu já estava quase desistindo
de amamenta-la. Quando fomos no pediatra e vi que ela havia perdido quase 100g,
eu me culpei, condenei meu egoísmo “você só está pensando em atender suas
expectativas”. O pediatra por sua vez tentava me acalmar. “Se não conseguir,
não vai ser por isso que ela vai deixar de crescer e ser um bebê saudável”.
Quando já estava quase me dando por vencida ela resolveu pegar o
seio. Depois com a ajuda de uma amiga que é doula, consegui encontrar outras
posições que facilitaram a sucção da Nina e nos livramos da chupeta.
Foi preciso coragem em tentar e aceitar as dificuldades sem esmorecer.
Mas sobretudo a persistência e dedicação ao aleitamento. Sei que nem todas as
mães conseguem. Como eu disse é muito complicado. Mas pelo menos dessa vez, a
maternidade sorriu para mim.

