No segundo dia de vida da Nina foi a primeira vez que estive no lactário. A primeira impressão é de um ambiente congelante. Rs...

Assim como para entrar na uti é necessário lavar as mãos de forma sistemática, o lactário também tem suas regras. Devemos nos despir na parte de cima e colocar capote, máscara e touca. Tudo precisa ser o mais estéril possível para evitar o risco de contaminação do leite materno.


Em seguida, pegamos um kit ordenha (e a vaca faz muuuu... Rs) e higienizamos as mãos e os seios. Depois vamos para uma sala com 12 poltronas e precisamos ordenhar o leite para ofertarem aos nossos bebês através de uma sonda alimentar. Cada ordenha só tem validade de 12 horas.

Além disso, é muito importante estimular sempre a produção de leite. Caso contrário ele seca.

Descrevendo aqui parece ser algo muito simples. Mas só quem viveu aquela experiência por tanto tempo pode mensurar quão opressor e solitário é aquele ambiente. Algumas mães não conseguiam ir. Era difícil mesmo. Eu as entendia. O leite não sai. É dolorido.

Com o tempo eu aprendi a abstrair o ambiente. Ao chegar lá, ficava imaginando a Nina muito gordinha. Pensava no dia que poderia traze-la para casa, forte e saudável.  Imaginava que o meu leite era tudo que ela precisava e que eu ia conseguir ordenhar sua dieta. Esse era o meu desafio diário.

Com o passar do tempo, é comum o leite ir secando. Algumas mães sofriam para extrair 5ml. Quando você está triste, preocupada e temorosa seu corpo não produz leite. Cadê minha filha sugando esse peito aqui, gente?!

Eu ordenhava o tempo todo. Ainda chegava em casa e tentava tirar mais leite. Eu só pensava que quando a Nina fosse para casa eu iria amamenta-la. "Vamos manter essa produção ae, Priscilla".

Enquanto ela não podia "mamar" o meu leite, doei tudo que ordenhava. Tentava ser positiva. Pensava em outros bebês deixados para a adoção. Pensava nela. Sempre...


Pensa que é mole ser mãe de uti?


Deixe um comentário