Fiz todo o pré-natal me preparando para o parto normal. Era algo
desejado e encorajado pela dra. Mayra. Quando eu internei existia a
possibilidade em necessitar de uma cesárea de emergência, caso a Nina mudasse
de posição dentro da barriga. Mas por sorte, ela estava sempre cefálica. Muito
esperta essa bebê, gente!
Minha GO já havia conversado comigo sobre os riscos de um bebê contaminado por um processo infeccioso. Ela me assegurava que ali na perinatal existia uma excelente UTI Neonatal e que era melhor um bebê prematuro viável do que um bebê infectado.
A psicóloga e a chefe da enfermagem da UTI neo também já haviam
conversado comigo sobre os recursos e possibilidades de atendimento que eram
realizados pela equipe Neonatal. Já sabia de todos os riscos e cuidados necessários
ao prematuro extremo.
Pesquisei diversos artigos científicos sobre o assunto. Discutia o meu caso clínico com as médicas da rotina da semi intensiva. "Mas até aqui você é caxias, Priscilla?!" Sim. Eu precisava fazer o meu melhor.
Fui encaminhada para a UTI materna para fazer um ciclo de
neuroproteção. Eu precisava ficar 24 horas submetida ao tratamento. Mas para
isso precisaria ser monitorada o tempo todo. Colocaram uma sonda vesical e
eletrodos no meu peito. Nunca tive tanto medo. Eu sabia que aquela noite seria
difícil. Imaginava se teria forças para suportar. Ninguém podia passar a noite
comigo. Eu mal conseguia me mexer. As dores eram horríveis.
De madrugada, quando estava começando a cochilar após fazer um
relaxamento notei que estava ficando molhada. Pensei que pudesse ter sido a sonda.
Mas imediatamente percebi que minha bolsa havia rompido. Chamei a técnica
que havia se tornado uma grande amiga. Ela estava assustada. "Preta, calma
que não é nada demais". Sua expressão denunciava o que eu mais temia.
(Desculpa, Katinha. Logo no seu plantão! Rs...)
Enquanto aguardava alguém vir me atender, eu e Kátia fizemos uma prece. Eu pedia proteção para mim e minha bebê. Agradecia por ter podido chegar até ali. Pela experiência de gestar, pelo aprendizado. Pedi calma e serenidade. Para todos que iriam participar do parto.
A médica plantonista verificou que eu já estava com 5cm de
dilatação. Meu marido e minha Go haviam chegado. Pedi para ver minha mãe, mas
não dava tempo. Fomos direto para sala de parto natural. Pedi anestesia. As
contrações eram horríveis e eu estava fraca (depois descobri que as dores que
senti durante o final de semana eram contrações).
A dra. Mayra queria que tentássemos o parto normal, pois seria mais natural, rápido e poderia ser mais benéfico para a bebê. Eu deixei o parto fluir. Aceitei aquele momento. Abri mão da tentativa de controlar algo que estava fora da minha alçada. Confiei em todos. Obrigada, dra. Por me encorajar e me ajudar a realizar meu parto tão desejado.
A pediatra Neonatal nos informou que nossa filha poderia não
chorar ao nascer. Que era possível precisar ser reanimada. Minha filha já
estava no canal e minha GO não conseguia escutar seus batimentos. "Pri,
faz força,"....
Quando ela nasceu ninguém falou nada. Ninguém comemorou a chegada
de um bebê. Eu e meu marido ficamos em estado de choque. "Por favor,
filha, chora!". O silencio era sepulcral.
Após não sei quanto tempo (uma eternidade!!!) escutamos o choro de
nossa filha. "Ela está bem! Veja! Dá tempo de tirar uma foto antes
de a levarmos".
Parecia que eu estava em uma outra dimensão. Escrever sobre meu
parto me ajuda a reelaborar e reviver a primeira vez que vi minha bebê.
Ela era tão pequena, pesava 850g. Tão linda! Lembro de dizer baixinho: "Seja bem-vinda, guerreira Nina!"