Desde
a descoberta da minha gravidez tenho acompanhado diversos blog sobre a
maternidade. Uma das coisas que mais de chamava atenção e assustava era o
pós-parto e o puerpério.
Os
relatos descrevem um período difícil, de grande investimento e labilidade
emocional. São muitas as transformações. A adaptação abrupta àquela ausência do
bebê ali dentro da barriga, as dores do pós-parto, o cansaço.
Enquanto
eu tomava anticoncepcional tinha todos os sintomas do transtorno disfórico
pré-menstrual (TPM). Uma semana antes eu começava a me sentir mal, ficava mais prostrada.
Sentia muitas dores no corpo e meu humor ia parar no pé. Então já imaginava o
que poderia acontecer.
No
pré-natal eu já buscava maneiras de encontrar apoio para esta fase de
transição. Comecei a pesquisar mais sobre os sintomas, procurei conversar sobre
isso com o meu marido e minha GO. “Dizem que é um período de vulnerabilidade.
Preciso que você seja meu amigo e tenha paciência”.
Encontrei
alguns artigos discorrendo sobre o papel da indução e antecipação do parto no “baby
blues”, os mecanismos neuroquímicos e me convenci que o melhor seria tentar um parto
o mais natural possível. Todos me apoiaram. Parecia o plano perfeito.
Quando
a Nina nasceu eu parecia ter sido tragada para dentro de um furacão. Eu me
sentia muito mal, do avesso. Meu corpo doía muito, minhas pernas não me
obedeciam. Eu já não tinha mais coluna e o cansaço era enorme. Estava o tempo
todo muito triste. A vontade que eu
tinha era dormir por algumas semanas.
Só
que mãe de uti não tem tempo, tampouco condições para descansar. Não dá para
deixar seu bebezinho sozinho. Você precisa estar lá. Você quer estar lá. Mas
seu corpo não responde, não reage.
Eu
sempre fui sensível, algumas pessoas me achavam “muito manteiga derretida,
muito canceriana”. Sempre fui e agora eu estava mais ainda. Eu chorava por
tudo. E me apiedava. Tinhas pensamentos catastróficos sobre a maternidade.
Achava não ser capaz de dar conta.
Foi
preciso buscar acompanhamento psicológico. Eu não queria ficar sozinha, mas não
conseguia ficar perto de ninguém. Precisava mostrar austeridade e esperança.
Mas por dentro eu estava péssima.
Aos
poucos comecei a me sentir melhor. As dores diminuíram, consegui reestruturar meus
pensamentos e fiquei mais ativa. Hoje ainda me sinto puérpera. Mas estou
caminhando... Tenho me solidarizado com as amigas que se tornaram mães também.
Tenho tentado compartilhar mais a minha experiência. Isso tem me ajudado muito.
Aos poucos estou me adaptando a esta
nova Priscilla. Eu tenho gostado bastante dela. Embora ainda estejamos nos conhecendo,
tenho descoberto que o meu avesso é a minha melhor versão. Mais humana, mais sensível, mais atenta.