Hoje eu tenho noção do quão importante foi poder contar com o
apoio da nossa família, amigos e outros pais de uti. Às vezes uma palavra
amiga, uma visita rápida ou um colo são fundamentais.
Quando ainda estava
internada muitas pessoas foram nos visitar. Cada pessoa levava consigo um
incentivo, carinho e sobretudo esperança. Me sentia acolhida.
Após o nascimento da Nina
passamos a ser pais de uti e com isso passamos a integrar um seleto grupo de
pessoas que precisam acreditar. Faz-se necessário abrir mão do controle, das
atividades cotidianas e também do apego. Ser feliz com pequenas conquistas.
Certa vez eu estava muito
tensa com a evolução da Nina. Tinha muitos medos. Eles eram diários. O risco da
contaminação hospitalar, do erro médico, do bebê não engordar, entre outros.
Temia não poder levar minha bebê para casa. Temia aquilo que não deve ser
pronunciado, a morte.
Encontrei no meu marido
meu arrimo. Era ele quem me lembrava o "brightside" das coisas.
"Pri, não importa se ela vai viver 100 dias ou 100 anos. Nada tira da
gente o privilégio de sermos seus pais. Eu sei que é duro, mas eu vou curtir
cada momento de seu desenvolvimento, afinal quem mais pode ver seu filho
terminar de ser gerado?". Caiu um orelhão inteiro. (Me perdoem os
nascidos após o ano 2000, rs... )
Nossos pais também foram
incansáveis. No grupo de whatsapp da família tinha o “Nina News”. A cada
novidade uma comemoração. A cada obstáculo amor e suporte.
Às vezes algum amigo dava
um pulo na perinatal. Costumávamos tomar um café com eles naquela horinha da
mudança de plantão. Eles entendiam nossa limitação de tempo.
Nos aproximamos de outros
pais de uti. Estes compreendiam como ninguém tudo que acontecia com a gente. E
nós com eles. Sabe aquela frase: "juntos somos mais fortes?!" Era
assim mesmo. Nós torcíamos pelos seus bebês e eles pela Nina. Costumávamos nos
encontrar pelos corredores e sempre tinha uns 5 minutos para comentarmos os highlights
do dia. Foram muitas famílias. Muita gente incrível e resiliente. Muitas
amizades que esperamos carregar para o resto da vida. Seremos sempre
agradecidos pela troca.
Algumas vezes ficávamos
sabendo que um amigo distante, conhecido, vizinho, chefe, paciente, enfim,
tanta gente que nem consigo imaginar, estava torcendo e rezando pela Nina. Era
bom saber o quanto ela era querida. Seu nome esteve em tantos grupos de oração
que vou ficar devendo até minhas duas próximas reencarnações o agradecimento.
Rs... Mas valerá a pena. Tenho certeza. Esse karma eu faço questão de
transformar em dharma.
Havia também aqueles que
estavam ali doando o seu tempo e sua vocação. O corpo clínico. Médicos,
especialistas, residentes, estagiários, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos,
auxiliar da limpeza e até mesmo o segurança da recepção. Cada um nos ajudava de
uma forma. Desde um esclarecimento, um posicionamento mais técnico até mesmo um
abraço reconfortante. Às vezes um aceno de cabeça já era suficiente.
Não faltou empatia. Não
faltou cuidado, tampouco amor. E é por isso que pudemos nos doar tanto. Porque
também tínhamos tudo isso em abundância.