Existem algumas etapas ao longo da internação de um bebê prematuro
extremo até o caminho da alta hospitalar.
1) Ele precisa sair da alimentação parenteral e retirar o acesso
venoso profundo.
2) Ele não pode mais fazer apneias e bradicardias e não necessitar
de estimulo ou aumento do O2 para voltar
a respirar.
3) É preciso sair do CPAP e passar a respirar sem nenhum auxilio
mecânico.
4) Ele precisa aprender a sugar.
5) Após aprender a sugar, precisa conseguir mamar o conteúdo
integral de sua dietinha,
6) Ter pelo menos 2.1kg.
Esse era o nosso checklist. A cada etapa vencida, uma comemoração.
A Nina se livrou da NP em menos de uma semana de internação. Os episódios de
apneia começaram a espaçar e reduzir significativamente quando ela chegou a
1.5kg. O próximo passo era dizer tchau para o cpap. Aquela máquina que auxilia
com O2 e pressão para manter os pulmões abertos.
Certa manhã no round a dra. Fernanda comentou que ia começar a
desmamar o cpap da Nina. "Hoje ela vai ficar 6 horas em ar ambiente.
Se aguentar amanhã aumentamos para 8 horas".
"O que?! Dra. Não me mata do coração. Ela é muito pequena
ainda..."
"E você não confia na sua filha?! Ela vai dar conta! Não se
preocupe".
Nessas 6 horas em ar ambiente o bebê não pode fazer nenhuma apneia
importante. Ele precisa respirar sem se cansar. Sem nenhum tipo de sobrecarga. Agora
imagina uma bebezinha de 34 semanas de gestação respirando sozinha?! Eu só
pensava que na barriga os bebês não respiram. Só quando nascem.
Meu Deus, aquelas horas foram intermináveis. Eu não conseguia sair
de perto da incubadora. Qualquer sinal de alarme dos monitores eu me tremia
inteira. (Sim, fiquei sensível ao estimulo. Até hoje quando escuto um barulho
similar fico sobressaltada).
Nina tirou de letra... E ai, veio o segundo dia de desmame. 8
horas em ar ambiente. Ela aguentou 2 horas. Cansou. "Amanhã a gente tenta
novamente"...
Após dois dias resolveram testá-la de novo. Dessa vez eu não
suportei ficar com ela. Pedi ao Hugo. Era ansiogênico demais. Estava quase
pedindo um cpap para mim.
Nem preciso dizer que deu tudo certo. Naquele dia nossa filha foi
para o colo do pai, sem qualquer auxilio respiratório. Ali ela se aninhou de
dormiu.
Sabe apuração dos resultados de escola de samba?! Aquele famoso
"10, nota 10!"....
Então, se eu pudesse teria pedido ao Jorge Perlingero para narrar
seu oximetro. Nina estava saturando 100% o tempo todo!