Uma outra mãe de UTI já tinha me dado uma super dica sobre a sucção. Na verdade, eu preciso realmente agradece-la por me ajudar em muitos momentos. Desde a semi-intensiva materna ela já me dava forças. Mesmo sem saber. 

O quarto da Alê ficava bem ao lado do meu e todos os dias eu escutava altas gargalhadas vindo do seu quarto. "Que gente animada nesse quarto". Em muitos momentos aquilo me contagiava. 

O bebê quando está na barriga da mãe, começa a treinar sucção a partir da 34° semana. A Nina estava com 35 semanas de idade gestacional. (A tal da idade corrigida, depois explico com calma). Ela ainda se alimentava através da sondinha. Mas o próximo passo era treinar sugar a mamadeirinha. 

Para isso os bebês de uti precisam fazer fono. As mães auxiliam no treino da sucção. Pode ser um processo lento, cansativo, sobretudo para o bebê, que pode inclusive perder peso. 

A Alê me disse para oferecer a chupetinha para a Nina sempre que ela fosse ser alimentada através da sondinha. Criar uma espécie de arco-reflexo. Mesmo com o cpap eu já tentava dar a chupeta para ela. E ela já sugava direitinho.

A chupeta, tão abominada pela mãe perfeita que eu pretendia ser e que havia criado na minha cabeça (essas expectativas sobre a maternidade, ne?!) passou a ser uma grande aliada. Esse foi mais um desafio que dona Nina tirou de letra. Não demorou nem um dia para ela conseguir sugar 5 ml na mamadeira. 

Uma coisa interessante sobre a alta do bebê é o checklist dos pais de uti. Para estarmos "aptos" a levar nosso bebê para casa, precisamos ser capazes de cuidar dele. Então a gente aprende todos os cuidados básicos. Trocar fralda, verificar sinais vitais, colocar a roupinha, dar a mamadeirinha e o banho. É engraçado, né?! Você precisa fazer por merecer aquilo. Não dá para simplesmente pegar o bebê no colo e ir para casa. 

A enfermeira Monique agendou comigo o banho. Sim, você precisava marcar para poder assistir o banho do bebê. Eu quis ver a Nina tomando banho de ofurô. Já tinha lido alguns artigos sobre os benefícios do ofurô para o bebê. Lembra a experiência intrauterina, dizem.

No início fiquei um pouco insegura. Imagina segurar um bebê de menos de 2kg pelo pescoço? Imagina só... Eu tão estabanada, tentando mostrar destreza. Até que me sai bem... Estava curtindo aquilo ali. Tiramos várias fotos, filmamos o banho. Foi lindo e emocionante. 

Quando acabou o banho estava na hora do round. A dra. Claudia, responsável pela UTI 2, comentou sobre a evolução da Nina, disse que já havia previsão de sua alta, mas para isso ela precisava sugar os 45ml de sua dietinha na mamadeira. O peso já não era uma preocupação. Ela ia chegar rapidinho. Caso ela conseguisse sugar a dieta inteirinha em todos os horários do dia, poderiam tirar a sondinha. E ai, era só acompanhar seu ganho de peso e CASA! 

Meus olhos brilhavam... Já imaginava a fotinho no hall de entrada da perinatal. Aquela clássica que toda família tira. 

Dra. Claudia, antes de terminar o round da Nina me deu outro presentão. "Ela já foi para o peito da mãe?" "Não?! Então ela vai agora!" 

Um pequeno parêntese: O aleitamento materno não é fácil. Não importa o que digam. Até para aquele bebezão gordinho nascido à termo e sua mãe é difícil. Embora seja natural, não é inato. O bebê aprende a mamar. E a mãe a aleitar. Às vezes, precisamos de treino... De tempo. Eu sabia disso.  Algumas mulheres desistem. Compreensível. Como eu disse, não é fácil. Dói. Às vezes o leite demora a descer... Às vezes é a pega incorreta. Enfim... Agora imagina colocar no peito um bebê com uma boquinha tão minúscula? Meu bico era maior do que a boca da Nina. Só para vocês terem uma noção. 

Primeira tentativa. Ela se contorceu e começou a chorar. Não conseguia a pega. Segunda, terceira, quarta tentativa... A enfermeira nos ajudou. Segura o peito. Coloca ela de frente. Agarra, Nina! Pegou por 5 segundos e soltou. Tenta novamente. O suor começa a escorrer pela minha nuca. "Ela pegooooou, olhaaaaa!" 

Após 3 minutos largou o peito. Cansou. Mas não vamos desistir. Ela vai aprender. E eu também. 



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