Estávamos cada vez mais próximos da alta, mas em uma manhã a dra. Claudia notou que a Nina tinha hérnia inguinal. O tratamento é cirúrgico e só pode ser realizado até os primeiros 4 meses de vida. A operação é bem simples e não atrasa a ida do bebê para casa. Mas ainda sim. Minha bebê que havia conseguido tratar o canal do coração sem cirurgia, não iria embora sem antes entrar na faca!

A cirurgia foi agendada para 3 dias depois. Pensa em uma pessoa ansiosa e preocupada. Agora eleva isso à 10° potencia. Era eu. E o pai. E a família toda. Eu tentava acalmar a todos. "Dizem que é moleza. O pós-cirúrgico é bem simples. Vai ser tranquilo". Não sei se eu tentava reassegurá-los ou a mim mesma. Minha bebê iria tomar anestesia geral. Caramba, tão pequena!

Naquela noite eu não dormi. Cheguei na uti antes das 9. Queria poder dar força e todo amor do mundo para a Nina. Ela já estava de jejum desde as 7 da manhã. Ficaria sem se alimentar até as 21:00hs. A cirurgia estava marcada para às 18:00hs. Mas antes da Nina outros dois bebês seriam operados. Na uti é assim. Algumas cirurgias ocorrem inclusive ali mesmo. Nesse caso, a Nina iria para o centro cirúrgico.

A medida que as horas avançavam eu ficava mais tensa. As técnicas e enfermeiras tentavam me acalmar. Em vão...  
Minha mãe chegou e logo depois o Hugo e meus sogros. A psicóloga deixou todo mundo ver a Nina. Ela já estava ficando irritada por estar sentindo fome. O pai também fica assim quando não se alimenta.

"Ela vai subir agora". Coração veio na boca. Fomos com ela até a porta do centro cirúrgico. Não podíamos passar dali. Lembrei quando eu passei por aquelas portas. Duas vezes. Na cerclagem e no parto. Estávamos juntas. Agora ela estava ali sozinha. "Ela é guerreira... Vai dar tudo certo".

O Hugo ficou ali esperando. Eu não conseguia... Estávamos no mesmo andar do berçário. Aquele que as famílias veem o bebê pela primeira vez através de um vidro. Ouvia gritos de felicidade ao fundo. Eu não conseguia relaxar... Desci com a minha mãe. Ficamos em oração. Meus sogros se juntaram logo em seguida.

"Filha, acho que já acabou... Vai lá ver"... Fui correndo até a porta do centro cirúrgico. Ela já tinha descido. A cirurgia havia acabado. Entrei como um furacão na uti... Lá estava ela, acordada e chorando muito. Era a fome. Agarrava a chupeta com tanta força que dava para ouvir a sua sucção através do vidro da incubadora... Ela não parava de chorar. Eu e o pai demos nossos dedos para ela segurar... Ela nos apertava com força. Eu só sabia agradecer... Minha bebê está bem.

"Todos da uti estavam torcendo por ela", disse a mãe que viu quando ela voltou. Ali era assim. Havia torcida organizada por aqueles bebês. Todos eles. Quantas vezes eu fui para a janela do box da Nina pedir por um bebê que não estava bem. A gente se apega mesmo. E sofre junto. Empatia, solidariedade. E amor.


"Perereca, agora chega! Nós vamos para casa!” 


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