Durante minha internação eu já planejava como seria o dia das mães. O meu primeiro.  Ou ela estaria na minha barriga ou já teria nascido. Havia me prometido comemorar esta data, independente do que acontecesse.

Por estar há muito tempo sem me cuidar, o Hugo me deu um "dia de beleza" no salão. Não queria ir. Queria passar o dia todo com ela. Mas ele insistiu e eu fui. Mas o que era para demorar 1 hora acabou se estendendo por 5 horas.  E eu tinha que tirar leite para ela. Ao sair do shopping estava tudo engarrafado.

Não chegaria a tempo. Ela iria tomar complemento. “Que droga”. Comecei a chorar e a bater no volante... Tudo engarrafado... Quando cheguei na maternidade estava na hora da mudança de plantão e não pude entrar para vê-la. "Eu fiquei o dia todo longe"... "Ela precisava de mim"...

Quando encontrei o Hugo ele estava radiante. "Fiquei a tarde toda com ela no colo". "Ela passou o dia super bem".

Quando saímos da Perinatal eu fui para casa arrasada. Quis ir dormir cedo. Não parava de me sentir culpada. E com raiva. Antes de dormir fiquei pensando no que havia acontecido.

No fundo eu tinha medo que ela não precisasse de mim. Que independente dos meus esforços ela ia crescer e isso não dependia mais de mim. A única coisa que naquele momento me fazia sentir mais sua mãe era através do "aleitamento". De alguma forma, poder dar meu leite para ela me ajudava a elaborar a maternidade.

Mãe de uti não troca fralda, não dá banho. Não acolhe o seu bebê no colo quando ele chora. Pelo menos não enquanto seu bebê estiver na UTI 1. O único vinculo que me lembrava de longe a maternidade era o meu leite naquela sondinha.

Havia prometido a uma mãe da UTI que virou uma grande amiga, que iria comemorar aquela data. Não consegui. Chorei o dia todo. Eu queria ela em casa. Comigo.


Ao chegar para visita-la, recebi um certificado de "melhor mãe do mundo". Nele, tinha o pezinho dela. Era muito pequeno. Mas significava o universo para mim. "Ela pode não precisar de mim para crescer, mas eu sou sua mãe e ela terá em mim a melhor possível".


Deixe um comentário