A vida na uti neonatal não é feita só de preocupação, incertezas e procedimentos invasivos. Há também amor, doação e acolhimento. No período em que esteve internada, minha filha foi muito bem cuidada por toda a equipe clinica. As pessoas se envolvem, “adotam” os bebês. É bacana ver a humanização de todos ali.

Decidi que enquanto ela estivesse ali, tentaria tornar o processo mais suave. Fazia questão de comprar roupinhas que coubessem em seu corpinho. O pai sempre trazia um cueiro novo. A vovó Elô fazia vários modelos de vestidinhos. Tudo para que a Nina estivesse sempre arrumadinha.

Um dia chegamos na uti e a Renata, fisioterapeuta, nos entregou um presentinho. Quando abri o pacote vi que tinham dois chaveirinhos rosa pink das havaianas. Aquele igual ao chinelo. "Vamos ver se ainda cabe". Os chinelinhos cabiam perfeitamente nos pés minúsculos dela. Foi a sensação da UTI.  O que teve de técnica, médicos vindo ver a modelo das havaianas 2016-2017. Muitas fotos. Muitos vídeos. Papai e mamãe babando aquela bebezinha linda e cheia de pose. Chegou a cruzar os pés. Figura.

Depois vim saber que uma médica havia tirado uma foto de seus pés com as havaianas e tinha mostrado aos amigos em uma festa. Todos desejaram saúde e que minha filha pudesse ir logo para casa.

É, a Nina tem essa luz própria. Todos a amam e torcem por ela.  E eu começava a entender o propósito de estarmos ali. Muitas orações. Muita energia e emanação positiva. Ela merecia tudo aquilo.

Eu me enchia de orgulho. "Essa é a minha filha!"


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