Quando completou o primeiro mês de vida, Nina estava ganhando peso
e seu quadro clinico se mantinha estável. A fisio sinalizava que em breve ela
sairia do CPAP.
Um dia precisei me ausentar
da uti para levar minha mãe na emergência pois ela estava muito gripada. Quando
voltei percebi que a Nina estava muito amoadinha.
"Que susto!".
Tocou o alarme do monitor. Sua saturação despencou. "Ela fez uma
apneia". E outra... Foram 10 ao todo naquele dia! Meu coração parava a
cada toque do monitor.
Já tinha presenciado um bebê fazer uma parada cardiorrespiratória
e aquele alarme me fazia temer o que poderia acontecer a Nina.
Pedi a médica que a
examinasse. Ela disse que estava tudo bem. “são efeitos da prematuridade”. Eu sabia que não. "Dra. Eu conheço a
minha filha. Ela não está bem".
Liguei pra o Hugo. Relatei as minhas impressões. "Chego ai em
10 minutos". Solicitamos exames. A médica concordou. Nina estava anêmica e
com uma infecção urinária. Eu confesso ter respirado aliviada. Dos males o
menor, eu pensei.
Naquela noite eu liguei umas
20 vezes para a uti. Não dormi. Só queria minha filha bem. Passei a madrugada
rezando e pedindo pela sua melhora. Para que não fosse nada demais. O medo de
ser o canal arterial repercutindo novamente ou até mesmo algo mais sério me
assombrava. Minha mãe passou a noite acordada comigo. Me pedia calma e fé.
Por mais que a gente saiba a
fragilidade de um bebê prematuro é difícil imagina-lo incapaz de vencer tudo
aquilo. Mas naquela fragilidade também há uma resiliência enorme. É impressionante
como eles se recuperam rápido.
Os dias seguintes foram
tensos. Eu ficava enchendo o saco da técnica que havia adotado a Nina.
"Gaby, como está nossa filha?!" Eu perguntava antes de entrar na uti.
Ela tentava me acalmar. ‘Não chora nem se desespera! Ela está bem!”. Fiquei
conhecida com a mãe chorona. Devia ser o puerpério e a maternidade. Ou medo
mesmo... Vai saber. Fiquei ainda mais sensível a tudo.
Aos poucos a Nina foi respondendo ao tratamento. Foi ficando mais
ativa, as apnéias reduziram e ela voltou a ser uma prematura
"padrão". Precisava apenas crescer e ganhar peso. E ela crescia
diariamente.